A nossa magna língua portuguesa
De nobres sons é um tesouro.
Secou o poente, murcha a luz represa.
Já o horizonte não é oiro: é ouro.

Negrou? Mas de altas sílabas os mastros
Contra o céu vistos nossa voz afoite.
O casto céu azul abre-se em astros,
Já não é noute: é noite.

 

26 - 7 - 1930

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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