O sangue que circula em minhas veias
Vem do sol por seu ser.
Os mares que naufragam nas areias
Vêm da lua, porque os faz mover.

Meu sangue é por destino e condição
Superior ao que há
No externo sórdido mundo. O coração
Praias não usa, onde quebrará.

Assim, sem lhes tocar, domino as cousas
E do meu ser solar
Vejo as marés lunares como rosas
Que florem onde nada pode estar...

30 - 10 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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