Fermosos olhos, quem ver-vos pretende
a vista dera em preço, se vos vira,
que inda por perder-vos a sentira,
a perda de não ver-vos não se entende.

A graça dessa luz não na compreende
quem, ao sol, a vós seus olhos vira,
que o cego Amor, que cego deles tira,
com vossos próprios raios a defende.

Não pode a vista humana conhecer
qual seja a vossa cor, que a luz forçosa
não consente mostrar tanta beleza.

Se eu, que em vendo-a ceguei, pude inda ver,
Uma cor vi, porém, cor tão fermosa
Que me não pareceu da natureza.

 

 

Francisco Rodrigues Lobo
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