(Acabou o tempo da Revolução dos Poetas. 
Não me digam que vamos construir uma
       República de Medíocres — sem o tamanho
       grandioso que deveria ter. Merda!)


Fraternidade
de débeis sentimentos inexactos,
cada qual com a sua verdade,
que só a imaginamos
para destruir
o sonho injusto dos factos.

Mas não me digam que vai continuar a desistência,
este eterno sempre da repetição da mesma coisa,
este terror medíocre de sentirmos debaixo dos pés
a impossível Ponte
que nunca poisa
nem poisará
em nenhum horizonte.

 


Maio-Abril de 1968-1975
José Gomes Ferreira
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