Gozo sonhado é gozo, ainda que em sonho.
Nós o que nos supomos nos fazemos,
      Se com atenta mente
      Resistirmos em crê-lo.
Não, pois, meu modo de pensar nas coisas,
Nos seres e no fado me censures.
      Para mim crio tanto
      Quanto para mim crio.
Fora de mim, alheio ao em que penso,
O fado cumpre-se. Mas eu me cumpro
      Segundo o âmbito breve
      Do que dei meu me é dado.
30 - 1 - 1927

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
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