que longevidade terá a morte das aves no âmbar da noite?
e os passos envenenados de quem fere as palavras?
que horas serão para lá desta precária sílaba?

ouço a voz estonteante dos guardadores de fogos
a suave fala de marítimas estrelas... a lua rente à parede
a fuligem da memória... o susto

nada me ensinaram
e no entanto aprendi a viver com este zumbido no coração
nada me contaram
mas suspeito que continuarei sozinho até ao fim
nada me disseram
tenho 35 anos... ainda bem que voltaste!

não
não tenho fome... repara
a noite insinua-se na pele e dilui a loucura
calemo-nos um instante

o susto cresce
de tua voz de ontem no gravador


In O Medo
Al Berto
« Voltar