Dá só treze badaladas
O relógio que não há.
Põe-no nas encruzilhadas
Onde o relógio não está.
E ali as horas que dá
Têm treze badaladas.

É o enguiço e o defunto
Que vem da beira do rio
A fazer mal ao assunto
Que era p’ra tratar a fio.
Ah, meu coração vazio
É que é o enguiço e o defunto.

 

16 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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