O que tem as botas rotas
E que pode ser um santo,
Tem somente as botas rotas
Por enquanto.
Mais tarde será o santo.

O que tem grande riqueza
E que pode um santo ser
Por ora tem só riqueza.
Quanto fizer
É do rico, O outro há-de ser.

Nada importa neste mundo
Ser rico ou pobre. O que existe
Existe só para o mundo.
O que persiste
É sempre o que não existe.

21 - 9 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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