Sofro, Lídia, do medo do destino.
Qualquer pequena coisa de onde pode
Brotar uma ordem nova em minha vida,
      Lídia, me aterra.
Qualquer coisa, qual seja, que transforme
Meu plano curso de existência, embora
Para melhores coisas o transforme,
      Por transformar
Odeio, e não o quero. Os deuses dessem
Que ininterrupta minha vida fosse
Uma planície sem relevos, indo
      Até ao fim.
A glória embora eu nunca haurisse, ou nunca
Amor ou justa stima dessem-me outros,
Basta que a vida seja só a vida
      E que eu a viva.
26 - 5 - 1917

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[[SOFRO LÍDIA DO MEDO DO DESTINO]]
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