Mas mesmo assim, de repente, mas devagar, devagar, 
Atravessando todas estas coisas modernas e presentes, 
Vindo naturalmente através de todas estas coisas e estes ruídos, 
Como se tudo isto fosse um vidro fosco transparente a essa iuz, 
Através do ruído dos guindastes, pelos interstícios do marulhar dos barcos, 
Coando pelas frinchas dos assobios dos comboios, 
Misteriosamente repassando, ensopando a faina das gentes, 
Torna, através do moderno e do actual, a eterna voz marítima,  
A eterna voz representativa das grandes coisas oceânicas, 



□ espaço deixado em branco pelo autor 


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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