As fadas dançam no ermo
Sem ninguém as poder ver —
Nessa clareira sem termo
Que é cercada de esquecer…

Dançam num ritmo diverso
Do que a vida faz e canta,
Que é um poema sem ter um verso
E sem se ouvir nos encanta.

Tal é a dança que a aragem
Interrompe e nos vem dar.
É só ruído da folhagem?
O que fiz foi uma viagem
Ou só não quero sonhar?

31 - 3 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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