Nem de estes bosques saberei dizer
Se me hão-de dar venturas que lembrar,
Se me hão-de dar tristezas que esquecer.

Assim, como se, indo eu a caminhar,
Perdesse o nome e a forma do caminho,
E não mais visse coisa que encontrar,

Nem sequer saberei se é lar ou ninho
Ou outra qualquer coisa mais da alma
O que me dá o que não adivinho.

Na longa solidão vedada e calma
Corre um som de água □

19 - 7 - 1929

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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