A mo invisvel do vento roa por cima das ervas.
Quando se solta, saltam nos intervalos do verde
Papoulas rubras, amarelos malmequeres juntos,
E outras pequenas flores azuis que se no vem logo.
 
No tenho quem ame, ouvida que queira, ou morte que roube.
Por mim, como pelas ervas um vento que s as dobra
Para as deixar voltar quilo que foram, passa.
Tambm para mim um desejo inutilmente bafeja
As hastes das intenes, as flores do que imagino,
E tudo em volta ao que era sem nada lhe acontecesse.
30 - 1 - 1921

In Poesia , Assrio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[[A MÃO INVISÍVEL DO VENTO ROÇA POR CIMA DAS ERVAS.]]
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