Caminho a teu lado mudo.
Sentes-me, vês-me alheado...
Perguntas. Sim... Não, nem sei...
Tenho saudades de tudo...
Até, porque estás passando
Do próprio’ mal que passei.

Sim, hoje é um dia feliz.
Será, não sei, por certo...
Mas por certo não se vê
Há um sentido que me diz
Que este céu azul e aberto
É só o que nada é...

E lembro-me em amargura
Do passado, do distante,
E tudo me é solidão...
Quem fui nessa noite escura?
Quem sou nesta morte instante?
Não pergunto... Tudo é vão.

4 - 11 - 1928

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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