Era o vero, o seu desassossego.
Era o desejo,
o desejo rompendo da sombra
sem caminho, e doa.
Era o ardor, o mais difano
irmo da melancolia.
Era o amor, o espanto
do amor, desarmado
e sem abrigo.
Era o deserto, o deserto porta;
e fervia.

In Ofcio de Pacincia
Eugénio de Andrade
OS PERIGOS DO VERãO
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