Numa sala vazia
Cheia de luz de lâmpadas no frio
De a sala ser vazia, havia
Parte do meu intuito □ e vazio,
E o fulgor calmo da minha agonia.
Como entre altas paredes
De corredores indo
Cada vez mais para o segredo findo
Em sonhos, redes
De me perder em imaginar tudo,
Batéis pela janela vistos
Ao longe entre árvores no lago...
Um poente é mudo
E sobe do coração do meu □
Um doloroso afago.

Galeras para ninguém...

 

29 - 3 - 1916

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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