Amem outros a graça feminina
Gozem sonhar seus lábios entre seios
Outros e muitos... que meus cantos, dei-os
À tua formosura peregrina...

Meu doce Apoio jovem... Ó divina
Flor adónica de ópios e de enleios
Ver-te é esquecer que há neste mundo anseios
Carnais, ó □ Vénus masculina.

Ninguém saberá nunca quem tu és...
Meu coração, óleo que unja teus pés —
Quem sabe se tu mesmo o sentirás?...

Que importa... E a vergonha e o mal que importa?
Quem me dera viver à tua porta
Inda que vendo o amor que a outrem dás!...

 

□ espaço deixado em branco pelo autor

23 - 10 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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