Se podes quanto dizem, Cristo velho,
De caruncho mordido, desprezado,
Coberto da poeira que envenena
A negrura da chaga do teu lado,
 
Se podes quanto dizem, quem te crê
Ou te traz nessa crença maltratado,
Podes fazer agora o que não ousam
Os que fingem de amor e de sagrado:

Vem a ser esta missa doutra lei,
A comunhão de Cristo e do pecado,
Eis a fé do poeta que te encontra
No teu pasmo de deus desafiado.


In Os Poemas Possíveis
José Saramago
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