Será para além do mar.
Desoladoramente...
Não haverá chorar...
Nada entre
Nós e amar.

Tudo como o sonho —
A sombra, o lago...
Sobre o ar em que ponho
O meu afago.

Ninguém... Nem eu
Talvez ali...
Não sei como vi...
Choro... Morreu
Quem ma deu...
 
E este meu percalço
Meu ser descalço
Não é verdade
Nem falso

Nem sonhado, ou real...
Intermédio...
O vago igual
À beira do tédio
E da vida ser mal.

6 - 7 - 1916

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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