A praça da Figueira de manhã, 
Quando o dia é de sol (como acontece 
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece, 
Embora seja uma memória vã. 

Há tanta coisa mais interessante 
Que aquele lugar lógico e plebeu,  
Mas amo aquilo, mesmo aqui... Sei eu 
Porque o amo? Não importa. Adiante... 

Isto de sensações só vale a pena 
Se a gente se não põe a olhar para elas.   
Nenhuma delas em mim serena... 

De resto, nada em mim é certo e está 
De acordo comigo próprio.  As horas belas 
São as dos outros ou as que não há.

10 - 1913

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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