Ditosa pena, como a mo que a guia
com tantas perfeies da sutil arte,
que, quando com razo venho a louvar-te,
em teus louvores perco a fantasia.

Porm Amor, que efeitos vrios cria,
de ti cantar me manda em toda a parte,
no em plectro belgero de Marte,
mas em suave e branda melodia.

Teu nome, Emanuel, de um ao outro plo
voando, se levanta e te pregoa
agora, que ningum te levantava.

E porque imortal sejas, eis Apolo
te oferece de flores a coroa
que j de longo tempo te aguardava.

 

Luís Vaz de Camões
[DITOSA PENA COMO A MÃO QUE A GUIA]
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