Meu coração é uma ânfora cheia
      Ao pé duma fonte a esperar..
      Sei que ninguém a virá buscar...
(Anel de noivado caído no chão entre a areia)...

Minha tristeza é uma âncora deixada...
      O navio deixou-a na areia..
      O que há em mim que dói e anseia?
(Outra aliança de noivos na areia, enterrada)...

8 - 5 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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