Meus versos são meu sonho dado
Quero viver, não sei viver,
Por isso, anónimo e encantado,
Canto para me pertencer.

O que sabemos, o perdemos,
O que pensamos, já o fomos,
Ah, e só guardamos o que demos,
E tudo é sermos quem não somos.


[4-8-1930]

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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