Não, Marília, teu gesto vergonhoso,
A luz dos olhos teus, serena e pura,
Teu riso, que enche as almas de ternura,
Agora meigo, agora desdenhoso:

Tua cândida mão, teu pé mimoso,
Tuas mil perfeições, crer que a ventura
As guarda para mim, fora loucura;
Nem sou digno de ti, nem sou ditoso:

E que mortal enfim, que peito humano
Merece os braços teus, ó ninfa amada?
Que narciso? Que herói? Que soberano?

Mas que lê minha mente iluminada!...
Céus… Penetro o futuro!... Ah, não me engano;
De Jove para o toro estás guardada.

Bocage
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