No ciclo eterno das mudáveis coisas
Novo inverno após novo outono volve
      À diferente terra
      Com a mesma maneira.
Porém a mim nem me acha diferente
Nem diferente deixa-me, fechado
      Na clausura maligna
      Da índole indecisa.
Presa da pálida fatalidade
De não mudar-me, me infiel renovo
      Aos propósitos mudos
      Morituros e infindos.
24 - 11 - 1925

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[NO CICLO ETERNO DAS MUDÁVEIS COISAS ]
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