Doo-me ser eu continuadamente...
Não haver fuga dentro em mim p’ra mim!...
Tudo o que em mim medito doente,
E a Hora □ estaca rente
A eu não saber p’ra onde é que vou ter fim.

Entardecer de Deus em mim... Sarei
Em febres minhas ânsias tresloucadas...
Pobre de mim que sou o que não sei...
No seu palácio-alma preso rei
Que não conhece as terras dominadas...

Tudo de mim enche o mundo todo...
Doo-me... Minha vista enrouqueceu
Quanto de alma gritou ao □ lodo
Insânia de atenção ao modo...


[Fevereiro de 1914]

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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