Numa das margens do saudoso rio
Contemplo a outra que sorri defronte:
Lá, sob o sol que baixa no horizonte,
Verdes belezas, enlevado, espio.

- «Ali (digo eu), será menos sombrio
«O viver que me põe rugas na fronte…»
E, erguendo-me, atravesso então a ponte,
Onde o vento sibila, áspero e frio,

Chego. Desilusão! Da margem verde,
Eis que o encanto, de súbito, se perde:
Bem mais bela era a margem que eu deixei!

Quero voltar atrás. Noite fechada…
E a ponte, pelas águas destroçada,
Por mais que a procurasse, não a achei!

 

 

Eugénio de Castro
AO CAIR DA NOITE
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