A verdade era bela, 
como vinha nos livros. 
À beirinha das águas 
a verdade era bela. 

Os que deram por ela 
abriram-se e contaram 
que a verdade era bela. 
Quase todos se riram. 

Os que punham nos livros 
que a verdade era bela, 
muito mais do que os outros. 

A verdade era bela 
mas doía nos olhos 
mas doía nos lábios 
mas doía no peito 
dos que davam por ela. 


In CAMPO ABERTO , Ática, 1983
Sebastião da Gama
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