Era água corrente.
Não tinha sentido.
Ia lentamente
Com pouco ruído,

Salvo onde uma pedra
Fazia a água dar
Um som bom que medra
Para se apagar…

Assim a emoção
Engana, a sentir,
Nosso coração —
Água sempre a ir.

6 - 8 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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