Ai dos sonhos que sonhamos!
Ai das tristezas que choramos!
Ai do muito e do pouco que somos!
Ai de quem tem coração!
A árvore da ciência só nos deu os pomos
Da desilusão.
 
Ai do que queremos e temos!
Ai do que  perdemos!
Ai mesmo do não termos os lutos
Por ter coração
A árvore da vida só nos deu os frutos
Da solidão.

 

 espaço deixado em branco pelo autor

12 - 5 - 1910

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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