Mas eu, em cuja alma se reflectem   
As forças todas do universo,  
Em cuja reflexão emotiva e sacudida  
Minuto a minuto, emoção a emoção,  
Coisas antagónicas e absurdas se sucedem —  
Eu o foco inútil de todas as realidades,  
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,  
Eu o abstracto, eu o projectado no écran,  
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto  
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.

 


In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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