Se as tuas mãos divinas folhearem
As páginas de luto uma por uma
Deste meu livro humilde; se poisarem
Esses teus claros olhos como espuma

Nos meus versos d’amor, se docemente
Tua boca os beijar, lendo-os, um dia;
Se o teu sorrir pairar suavemente
Nessas palavras minhas d’agonia,

Repara e vê! Sob essas mãos benditas,
Sob esses olhos teus, sob essa boca,
Hão-de pairar carícias infinitas!

Eu atirei minh’alma como um rito
Às trevas desse livro, assim, ó louca!
A noite atira sóis ao infinito!...


In O Livro D'ele
Florbela Espanca
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