Durmo só por cansaço,
Não por um sono meu,
E há um vago , abstracto laço
Fora do tempo e espaço
Com que alguém me prendeu…

Pareço estar disperso
Num abismo de mim —
E acho tudo o que penso
Feito de um corpo denso
A cousa alguma afim.

23 - 6 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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