Música, sim, popular... 
Harmónio de viageiro... 
Meu coração transborda 
Quem será quem chama? 

Tudo quanto a alma deseja 
Passa na música breve 
Que passa e que nada deixa 
Senão ter pena’ que esteve. 

Tudo quanto eu quereria 
Não fica dentro de mim 
Mas na música se esfria 
E tem um som e um fim. 

Maligna sorte da alma 
Não pode ter emoção 
Senão quando vive calma 
Fora do seu coração. 

1 - 11 - 1927

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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