Quando o meio-dia brota
Das cousas como uma chama,
As árv’res, que o olhar ama,
São Cousas, nenhuma ignota.

Quando o crepúsculo vem,
(Faz as vidas mais’ vividas)
As Árvores (vede bem!)
Já não são Cousas, mas Vidas.

Mas as Árvores, ateus
Ao sol-a-prumo do dia,
Quando vem a noite fria
São inteiramente Deus.

1 - 3 - 1913

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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