Teu seio nulo, porque não existes,
Vénus Urania; nem teus braços são
Dos que as carícias cobiçadas dão
E os olhos que te buscam ficam tristes.
Não duram sóis os dias em que insistes
Com a tua ausência ideal do coração,
Mas amar-te é um dano e um perdão
E às nossas almas renovada assistes.
Cinge-me em sonhos teu destino raso
Como a malignidade de ter vida,
Sem consequência digna de ter prazo.
11 - 6 - 1929

In Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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