Já sinto em sonho sobre eu ‘star morto
      A erva crescer.
E como a noiva que vê do porto
      A nau crescer

Que traz seu noivo e chora por tê-lo,
      Porque, chegado,
Morre a feliz ‘sperança de vê-lo
      E a ‘sperança é bela.

Assim... não sei... sobre eu estar morto
      A erva...

Mas que tem isso com eu ‘star morto.
      Sinto-o e não sei...

Morre a ‘sperança que tem de vê-lo,
E tê-lo é perder querê-lo ter ao lado.

26 - 1 - 1917

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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