Azuis os montes que estão longe param.
De eles a mim o vário campo ao vento, à brisa,
Ou verde ou amarelo ou variegado,
      Ondula incertamente.
Débil como uma haste de papoila
Me suporta o momento.  Nada quero.
Que pesa o escrúpulo do pensamento
      Na balança da vida?
Como os campos, e vário, e como eles,
Exterior a mim, me entrego, filho
Ignorado do Caos e da Noite
      Às férias em que existo.
31 - 3 - 1932

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, 2000
Ricardo Reis
[AZUIS OS MONTES QUE ESTÃO LONGE PARAM.]
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