Tu, de quem o sol é sombra,
De quem cadáver o mundo,
Meus passos guia, a que ensombra
O sentir-te, ermo e profundo!

Presença anónima e ausente
De quem a alma é o véu,
A meus passos de inconsciente
Dá o consciente que é teu!

Para que, passadas eras
De tempo ou alma ou razão,
Meus sonhos sejam esferas,’
Meu pensamento visão.

22 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
« Voltar