No caminho de mim p’ra mim
Há à direita — sempre à direita —
Um templo todo de marfim.

Das suas janelas, uma deita
Para uma paisagem afim
A não ver quê, nem se é assim...

Por essa janela alguém espreita
E esse alguém nunca sou eu

Então porque é tudo isto meu?
18 - 12 - 1914

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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