Palavras não me faltam (quem diria o quê?), 
faltas-me tu poesia cheia de truques. 
De modo que te amo em prosa, eis o 
lugar onde guardarei a vida e a morte. 

De que outra maneira poderei 
assim te percorrer até à perdição? 
Porque te perderei para sempre como
o viajante perde o caminho de casa. 

E, tendo-te perdido, te perderei para sempre.
Nunca estive tão longe e tão perto de tudo.
Só me faltavas tu para me faltar tudo, 
as palavras e o silêncio, sobretudo este. 


In POESIA REUNIDA , Assírio & Alvim, 2001
Manuel António Pina
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