Pouco me falta para ser quem sou.
Basta morrer. E vou
Para morte a sorrir como quem vai
Para casa; e o atrai
A ideia, sem saber se a casa é
Como era, mas tem fé.
Há sempre qualquer coisa de materno
Naquele mundo interno
Que é o lar original, o não ter já
Este carinho que há,
Chamando a vida, mas o leito antigo
Por detrás do postigo.

 

 

 

 

2 - 7 - 1934

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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