Não ter deveres, nem horas certas, nem realidades... 
Ser uma ave humana 
Que passe haleiónica sobre a intransigência do mundo —
Ganhando o pão da sua noite com o suor da fronte dos outros — 
Faz-tudo triste 
No coliseu com lágrimas, 
E compère antigo, um pouco mais cheio que Vénus de Milo, 
Na insubsistência dos acasos. 
E um pouco de sol, ao menos, para os sonhos onde não vivo. 

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
« Voltar