NA Grande Ilha ao centro de Ser 
Por sobre o mar de Pensamento 
Um sopro divino vem ter. 

De que paragens vem trazer 
Aquele aroma nevoento? 
De que longínquas terras essa 
Confusa somhra de ruídos 
Que de noite ao luar atravessa 
Até às costas dos sentidos? 

Ah, nesta eterna solidão 
Como as nossas almas estão 
Com essa outra terra vista 
Só nos sonhos que a brisa traz 

Nos seus sons vagos, e que dista 
Tanto desconhecido de onde 
Nosso Universo, ilha, jaz? 
Deus é o céu que cobre esse □ 
O que é a Terra que Ele nos esconde?... 



□ Espaço em branco deixado pelo autor


3-10-1915 (before 1 a.m.)

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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