Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.

São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece
Depois são sonhos que vão
Pelo campo que arrefece.

Símbolos? Sombras? Quem torna
Meu coração no que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?

 

17 - 6 - 1932

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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