Entre Deus e o Diabo venha o Diabo e escolha. 
Entre amar-te e a vida te escolho ó dia como 
uma doença de pele e te redijo 
por palavras minhas tão envergonhado ó dia! 
conforta-me e lava-me de toda a porcaria que eu 
com a unha da melancolia te corrijo. 

Em Lisboa perdi a paciência, 
fui crucificado morto e enterrado. 
Ressuscito-te dos mortos. E dentro da barriga te persisto 
e entre dentes te percorro de solidão inesperado. 
A ti recorro ó cirurgião estou tão zangado tão zangado 
e morro porque não tenho idade para isto! 


In POESIA REUNIDA , Assírio & Alvim, 2001
Manuel António Pina
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