Saque da cidade...
E as estrelas frias
Estão na imensidade
Sem consciência alguma
Da guerra, e a espuma
Borda de alegrias
O branquear da praia...
Tudo nos ignora,
Tudo nos transcende.
A nossa alma chora,
Com lutas e anseios
Com guerras se prende,
E ah a paz do enleio
Consigo nas trevas
Onde ó lua, nevas!

Em tempo de guerra.

23 - 9 - 1915

In Poesia 1902-1917 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005
Fernando Pessoa
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