Oiço, como se o cheiro
De flores me acordasse...
É música – um canteiro
De influência e disfarce.
 
Impalpável lembrança,
Sorriso de ninguém,
Com aquela esperança
Que nem esperança tem...
 
Que importa, se sentir
É não se conhecer?
Oiço, e sinto sorrir
O que em mim nada quer.
28 - 8 - 1933

In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2006
Fernando Pessoa
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