Ah, estranha vida a de bordo! Cada novo dia 
Raia mais novo e mais outro que cada dia na terra. 
Ruído dos guindastes! Carga em transbordo! Energia 
Das coisas □
□ melodia 
Para a minha alma que ante o Real o perde e o erra... 
No mar, no navegar, —  ruído de hélice eterno! — 
O tempo é outro tempo, o espaço é de outra largura 
E cada costa que surge é um dia que raia e é terno 
De oco o olhar que abrange a imensidão e nada possui, 
E o respirar do ar 
 
 
 □ espaço deixado em branco pelo autor

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002
Álvaro de Campos
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