(A terrível Dor áspera com mãos de justiça
                                 e coração duro de cristal.)


Outra manhã
em que os assassinos voltam a limpar as mãos nas nuvens
e as lágrimas aumentam a sede
das mães escondidas nos olhos.
Outra manhã
em que, farto de insónias e de rugas,
vou mais uma vez sofrer
o tédio submisso
que rói e suga
esta pátria de algemas
e silêncio mole
onde espero em vão pela outra Dor
— vem, vem, dia das injustiças fundas! —
que aperfeiçoa o sol.

 


In Comboio
José Gomes Ferreira
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